FÚRIA ÉPICA

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Nos últimos 100 anos, sensivelmente, a doutrina passa por:

1 - Ganhar supremacia aérea.

2 - Bombardear.

3 - Manter as vias marítimas desimpedidas.

4 - Invasão terrestre.

Desde esta manhã que a USAF e USN está a "martelar" o Irão. Presumo que estejam a "cegar" os seus radares, a abater a sua força aérea e a suprimir a sua defesa antiaérea.

Superioridade aérea tinham-na (a USAF) antes sequer de sobrevoarem espaço aéreo iraniano, a supremacia será conseguida no espaço de uma semana, ou possivelmente, dias. Após a mesma ser estabelecida, bombardeiros irão destruir bases aéreas, fábricas de armamento e alvejar (e tentar decapitar) a liderança militar e civil do país.

Possivelmente, dentro de uma semana, irão haver raides de commandos atrás das linhas inimigas para tentar capturar os Aiatolás (tomem uma aspirina, que isso passa) e precipitar uma incruenta revolução. Possivelmente, operações militares cessarão antes de 1 de abril.

Se acredito que poderá haver uma invasão terrestre? Duvido, é um país com 90 milhões de habitantes e o terreno é montanhoso, não só irão os EUA querer evitar desnecessário derramamento de sangue, como equipamento militar complexo (e dispendiosíssimo) não aprecia poeiras, areia, calor nem pedras, isso (invasões em grande escala) é uma filosofia militar que gradualmente desapareceu entre os anos 60 e 90, sendo que as incursões em Granada em 1983 e Panamá em 1989 foram numa escala muito menor(e sobretudo, aerotransportada) ao que assistimos nos anos 40, 50 e 60. Forças armadas profissionais já não acreditam em larga escala (nem em heroísmos românticos), nem os constituintes têm estômago para perdas.

Se esta "operação" foi precipitada por uma ameaça nuclear existencial? Acredito que seja um factor, tal como acredito, que o mesmo possa ter sido exagerado convenientemente para justificar a operação e preparar a opinião pública para a mesma. O Irão, ao contrário da Venezuela, não é um país (tão) rico, mas é um parceiro da China (2.ª maior potência económica), algo que os EUA (maior potência económica/militar) preferem estrangular.

O "interesse" de Trump na guerra civil no Sudão também não será inocente, atendendo a que a China investia fortemente nesse país.

Será interessante ver qual será a reacção da Arábia Saudita a tudo isto, mas penso, que a economia saudita já está tão interdependente da Americana, que não será conveniente fazerem gestos políticos além dos simbólicos. De certa forma, os Sauditas são como os chineses, para eles, a ideologia é a 2.ª questão mais importante, e a 1ª é a... sobrevivência (ideológica, económica, etc), países assim adaptam-se, sobrevivem e prosperam, o exemplo mais óbvio foi a transformação da China sob o mandato de Deng Xiaoping, algo que os Soviéticos sob a liderança de Brezhnev, AndropovChernenko e Gorbachev nunca conseguiram, resultando na extinção da URSS em 1991. Trump tem sido muito inteligente em angariar investimento Saudita na infraestrutura Americana, pois não convém a um parceiro tão envolvido criticar aqueles nos quais tanto investiu.

Quem mais irá lucrar com tudo isto, além da indústria de armamento americano e os republicanos / Trump, caso a campanha seja rápida e vitoriosa, serão os media, aqueles que quase sempre são liberais e anti-guerra e imperialismo, mas que a história demonstra, têm a sua maior pujança quando cobrindo conflitos em larga escala, sendo o exemplo mais conhecido, a preeminência ganha pela CNN quando cobrindo a Guerra do Golfo em 1991 (e a Fox News em 2003), e tudo o que a precedeu, numa bonanza de jornalismo comercial entre agosto de 1990 e março de 1991.

A maioria no futebol feminino é liberal ou marxista, e entendem os EUA e NATO como imperialistas (duvido que consigam explicar o conceito, seria como perguntar à Marchão a diferença entre 
Bolcheviques e Mencheviques, ou a Borges explicar as diferenças entre Socialismo e Comunismo, ou a Fontemanha a diferença entre misoginia, sexismo, machismo e masculinismo). E, indubitavelmente, algumas (não necessariamente no fut fem) irão tentar posicionar-se (popularmente) como anti-imperialistas para conseguirem projecção social e tempo de antena, mas ao fazê-lo, terão necessariamente, que estar a posicionar-se pró-Irão, um regime que reprime (desde 1979) brutalmente (penas de morte por enforcamento, execuções - e castigos corporais - públicas) a mulheres, a homossexuais, e a liberdade de expressão.

Mas... ainda me lembro, da "Mónica" (prenome fictício e aleatório) andar pelas redes sociais a dizer que era anti-racismo, mas enviava-me mails a descrever mulheres negras como "homens", ou a dizer que era a favor da comunidade LGBT (à qual, ela nunca pertenceu, mas opta por alimentar especulação), mas depois, lá ia ao Catar encher os bolsos com $$$ vindos de um regime que brutaliza emigrantes e a comunidade LGBT. Há anos que o digo, pior que o racismo, sexismo e (toda uma panóplia de) fobias, é a hipocrisia potenciada (quase) ao nível de sociopatia, que no passado, era pervasiva na política, mas hoje em dia, num fenómeno que baptizei de "Proencismo", veio igualmente instalar-se (de forma insidiosa) no futebol. Pelo menos, nos tempos do Estalinismo, fuzilavam os burocratas, e a falta que nos fazem uns "Estalines" no futebol português, para "balear" uns "pavões" e "pavoas" que por aí andam a esvoaçar.

Mas, continuo a achar, que (a "Mónica") tem a melhor colecção de botas Chelsea entre o Mondego e o Tejo.

Ah, e aqueles de nós que andámos em bons colégios, sabemos que Álvaro Cunhal, inobstante se posicionar como anti-imperialista, apoiou a feroz invasão soviética à Checoslováquia e Afeganistão. Portanto, ninguém o levava a sério, tal como, 95% deste país não leva a sério os "Cunhalinhos" (e Cunhalitas) que o tentaram substituir no espaço mediático.

A.C.F.

28/02/2026.







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