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CICLO ANUAL DAS SUBTRACÇÕES

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. . . . . A notícia chegou como chegam muitas notícias de mercado. Sem conferência de imprensa. Sem grandes proclamações. Sem sequer confirmação oficial. Mas há notícias cujo verdadeiro significado não reside naquilo que anunciam. Reside nas perguntas que obrigam a fazer. A possível saída de DANIELA ARQUES para o London City Lionesses pertence claramente a essa categoria. Porque, se vier a confirmar-se, o Sporting não estará apenas a perder uma jovem internacional espanhola que conquistou espaço na sua equipa principal. Estará, acima de tudo, a confrontar-se com uma dúvida que acompanha o futebol feminino leonino há demasiado tempo e que continua sem encontrar uma resposta convincente. A equipa está verdadeiramente a crescer. Ou continua apenas a sobreviver ao mercado? Segundo a imprensa espanhola, existe já um princípio de acordo entre os dois clubes para a transferência da média de apenas vinte anos , depois de uma época em que ultrapassou os dois mil minutos de utilização e parti...

LITTLE MISS DANGEROUS

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. . . . . Há contratações que chegam para acrescentar profundidade a um plantel. Há outras que surgem apenas porque era necessário preencher uma lacuna deixada por uma saída. E há, finalmente, um terceiro tipo de contratação, um muito mais raro, que obriga inevitavelmente os adeptos a elevar as suas expectativas e, ao mesmo tempo, aumenta o grau de exigência sobre quem construiu a equipa. A chegada de Emma Ramírez Gorgoso ao Sporting Clube de Portugal pertence claramente a esta última categoria. Não porque exista qualquer garantia de sucesso imediato, mas porque o percurso competitivo que traz consigo torna difícil aceitar que o Sporting continue a justificar eventuais insucessos com limitações individuais do plantel. Emma Ramírez tem apenas vinte e quatro anos , mas chega a Alcochete depois de um trajecto que dificilmente pode ser descrito como comum. Formou-se no Fontsanta-Fatjó, passou pelo Espanyol e, ainda muito jovem, foi recrutada pelo Barcelona , o clube que, durante a ú...

BYE, BYE, BEATRIX...

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. . . . . A notícia chegou no sábado, 4 de Julho, sem grande estrondo, mas com um significado que só se revela quando se olha para os números com atenção. Beatriz Pina Fonseca , conhecida no meio como " Bia Meio Metro " (maintenant, ' Bia Demi-Mètre '), deixou o Sporting Clube de Portugal "órfão" dos seus talentos ao fim de duas temporadas para assinar pelo Olympique de Marselha. Aos 27 anos, natural de Braga, com dez internacionalizações por Portugal, a ala deixa para trás um registo de 58 jogos, três golos e 25 assistências em duas épocas de Alcochete, das quais se destaca a última, com doze assistências em pouco mais de 2500 minutos. É um número que não passa despercebido tratando-se de uma ala, e que ajuda a explicar o interesse que gerou no estrangeiro. O Marselha apresentou-a com entusiasmo, chamando-lhe reforço de primeira linha para as suas ambições, elogiando velocidade, técnica e inteligência táctica. São palavras generosas, como costumam ser ...

AS CABRAS EXPIATÓRIAS

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. . . . . As notícias da saída de Margarida Batlle y Font do cargo de Coordenadora - Geral do Futebol Feminino do Sporting Clube de Portugal chegaram sem grande alarido, como costumam chegar as decisões que uma instituição prefere não explicar em detalhe. Três épocas depois de assumir a direcção da estrutura, em maio de 2023 , a responsável deixa o cargo enquadrada numa (previsível e inevitável, atendendo aos resultados...) " reorganização alargada " das estruturas de apoio às equipas profissionais. É uma fórmula suficientemente vaga para não comprometer ninguém e suficientemente neutra para não parecer uma admissão de fracasso. Mas os números, esses, não se deixam envolver em eufemismos, e é a partir deles que se deve começar a compreender o que realmente aconteceu nestes seus três anos à frente do futebol feminino leonino. Durante a regência de Batlle y Font, o Sporting terminou sempre em segundo lugar na Liga BPI, sempre atrás do Benfica , e a distância pontua...

MÉRITOS ALHEIOS

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. . . . . O Benfica sagrou-se hexacampeão nacional de futebol feminino. . Seis títulos consecutivos, uma sequência que não tem paralelo na história da modalidade em Portugal, e que coloca o clube da Luz numa posição de hegemonia tão consolidada que qualquer interrupção desta sequência passará inevitavelmente a ser analisada com a mesma precisão com que se analisa agora o mérito da sua construção. . A questão que merece ser colocada, com clareza e sem eufemismos, é a seguinte:  de quem é, verdadeiramente, o mérito desses seis títulos? . A resposta exige que se separe aquilo que é relação pública daquilo que é realidade desportiva. . Fernando Tavares foi vice-presidente do Benfica para as modalidades durante os primeiros cinco anos desta era de domínio. . Foi sob a sua orientação que o projecto cresceu, que o investimento se fez, que o ranking europeu do clube subiu da posição 97 para o décimo lugar, e que o Benfica atingiu os quartos de final da Liga dos Campeões. . Foi sob a sua ...

A ARITMÉTICA DO IMOBILISMO

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. . . . . A eventual contratação de Emma Ramírez levanta uma questão interessante. Não sobre a jogadora. Não sobre a qualidade que poderá acrescentar ao plantel do Sporting. Sobre a forma como Margarida Batlle y Font tem gerido a construção da equipa desde que assumiu a direcção do futebol feminino em meados de 2023. Porque, se a internacional espanhola chegar efectivamente a Alcochete, aquilo que muitos adeptos vão querer perceber não é apenas o que Emma Ramírez pode trazer à equipa e ao projecto. É aquilo que a sua chegada dirá sobre um fenómeno que parece repetir-se mercado após mercado e que continua a impedir os sportinguistas de perceber se o clube está realmente a crescer ou apenas a substituir talento que entretanto vai perdendo. Desde Maio de 2023 , os adeptos assistiram à chegada de várias jogadoras capazes de gerar entusiasmo legítimo. Algumas chegaram já com provas dadas. Outras chegaram acompanhadas de expectativas elevadas. Em praticamente todos os mercados, o Sporting...

A LIDERANÇA INVISÍVEL E IMPALPÁVEL DE MÓNICA JORGE

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. . . . . Mónica Jorge levanta uma questão interessante. Não sobre a sua competência. Não sobre o seu currículo. Sobre a forma como entende o exercício da liderança no futebol feminino do Benfica. Porque, passados vários meses desde que assumiu funções, aquilo que muitos benfiquistas continuam sem perceber não é quais serão as próximas contratações. É qual é exactamente a visão que a directora-geral tem para o futuro da modalidade dentro do clube. Quando chegou ao Benfica, Mónica Jorge trazia consigo uma associação de longa data ao futebol feminino português. Durante anos, esteve empregada no meio durante o crescimento da modalidade, ocupou diferentes funções de responsabilidade e tornou-se uma das figuras mais mediáticas do sector. Foi precisamente essa exposição que levou alguns adeptos a acreditar que a sua chegada poderia representar o início de uma nova fase para o futebol feminino encarnado. No entanto, quando se observa aquilo que aconteceu desde então, começa a surgir uma dúv...