MARGARIDA BATLLE Y FONT: PROJECTO OU ILUSÃO?
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A eventual contratação de Ágata Filipa levanta uma questão interessante. Não sobre a jogadora. Sobre a gestão do futebol feminino do Sporting.
Porque, se a contratação se confirmar, aquilo que muitos adeptos vão querer perceber não é o que Ágata Filipa pode acrescentar à equipa. É aquilo que a sua chegada diz sobre as decisões tomadas nos últimos tempos por Margarida Batlle y Font e pela estrutura que dirige.
Durante mais de uma época, os sportinguistas ouviram falar da aposta na formação. Ouviram falar da necessidade de criar oportunidades para as atletas formadas no clube. Ouviram falar da importância de acreditar nas jovens jogadoras. Foi esse o enquadramento que acompanhou várias opções da secção.
No entanto, quando se observa a realidade competitiva da equipa, começa a surgir uma dúvida incómoda.
A estrutura está a apostar na formação porque acredita genuinamente que essas atletas têm qualidade para elevar o nível competitivo do Sporting? Ou está a apostar na formação porque a narrativa da formação é popular junto dos adeptos e fácil de defender publicamente?
O caso da lateral esquerda parece ilustrar este dilema.
Se a aposta realizada ao longo da última época era efectivamente uma aposta vencedora, porque surge agora a necessidade de recorrer ao mercado para procurar uma solução mais experiente? Se a posição estava bem entregue, porque é necessário intervir? E se não estava bem entregue, porque demorou tanto tempo a reconhecê-lo?
Estas perguntas não são dirigidas às atletas. Não são dirigidas a Ágata Filipa. Não são dirigidas a Érica Cancelinha.
São dirigidas à directora do futebol feminino.
Porque uma estrutura desportiva é avaliada pelas decisões que toma e não pelas intenções que proclama.
Se o Sporting concluiu que precisa de uma lateral esquerda mais experiente, então muitos adeptos perguntarão legitimamente porque foi necessário esperar mais de um ano para chegar a essa conclusão. E se a resposta for que a aposta anterior fazia parte de um processo de crescimento, então também será legítimo perguntar porque esse crescimento não produziu os resultados esperados.
É precisamente aqui que surge a principal dúvida em relação ao trabalho de Margarida Batlle y Font.
Qual é exactamente o critério que orienta a construção deste plantel? Existe um critério, uma estratégia?
Existe uma visão competitiva clara? Existe um plano coerente de desenvolvimento? Ou estamos perante uma sucessão de decisões pontuais que vão sendo corrigidas à medida que as fragilidades se tornam evidentes?
Porque aquilo que os Sportinguistas observam é uma equipa que continua à procura de soluções para problemas que já existiam há muito tempo.
E quando os mesmos problemas persistem época após época, a discussão deixa de ser sobre as jogadoras.
Passa inevitavelmente para quem toma as decisões.
A.C.F.
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Com todas as reservas possíveisacerca do trabalho da diretora, acredito, pois o contrário seria inadmissível que em termos de composição de plantel, ela faz o que a equipa técnica pede. O tempo dos diretores chegarem ao pé dos treinadores e dizerem tens aqui este jogador, mete-o a jogar, já acabou. Se isso acontecer no Sporting, temos um treinador a mais no clube.
ResponderEliminarDesde a saída da Madison Haugen, que o Sporting não tinha lateral esquerda. A Erica Cancelinha desempenhou o papel, mas como se vê e bem nas seleções jovens, é lateral direita. A Ágata Filipa, é uma jogadora bem vinda pela sua polivalência nas alas. Questiono mais a possível aquisição da Madalena Marau, quando não foi anunciada a saída da Tânia Rodrigues. Não há fome que não dê em fartura e passa-se de zero laterais esquerdas para três.
Boa tarde,
Eliminar"Com todas as reservas possíveis acerca do trabalho da diretora, acredito, pois o contrário seria inadmissível que em termos de composição de plantel, ela faz o que a equipa técnica pede."
Tendo em conta o que escreveu, está a dizer que acredita que foi o treinador que: 1) pediu à Directora para renovar com Rita Fontemanha, que para todos os efeitos, foi uma "suplente glorificada" nos seus últimos 3 anos como assalariada do Sporting, 2) que foi o treinador que decidiu meter a braçadeira de capitã numa Rita Fontemanha que praticamente não jogou nas duas épocas em que o treinador esteve no comando?
Acredito que o treinador talvez tenha sugerido a dispensa de Ana Capeta e Fátima Pinto. Mais do que isso, tenho algumas dúvidas.
"Desde a saída da Madison Haugen, que o Sporting não tinha lateral esquerda. A Erica Cancelinha desempenhou o papel, mas como se vê e bem nas seleções jovens, é lateral direita."
A Érica é uma profissional briosa, mas limitada, já foi testada em várias posições desde que chegou do Benfica, e pessoalmente, nunca me convenceu. Merece respeito, mas não creio que seja uma jogadora estrutural, está a ter oportunidades até surgir uma opção mais convincente.
"A Ágata Filipa, é uma jogadora bem vinda pela sua polivalência nas alas. Questiono mais a possível aquisição da Madalena Marau, quando não foi anunciada a saída da Tânia Rodrigues. Não há fome que não dê em fartura e passa-se de zero laterais esquerdas para três."
Não acho que Ágata Filipa aos 31 anos represente uma melhoria substancial relativamente a Érica Cancelinha. Da mesma forma, que Ana Dias não me parece que seja uma jogadora claramente superior a Ana Capeta.
De resto, o treinador era treinador antes de chegar ao Sporting, a Directora, que eu saiba, nunca foi responsável por qualquer projecto desportivo.