A LIDERANÇA INVISÍVEL E IMPALPÁVEL DE MÓNICA JORGE

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Mónica Jorge levanta uma questão interessante. Não sobre a sua competência. Não sobre o seu currículo. Sobre a forma como entende o exercício da liderança no futebol feminino do Benfica.

Porque, passados vários meses desde que assumiu funções, aquilo que muitos benfiquistas continuam sem perceber não é quais serão as próximas contratações. É qual é exactamente a visão que a directora-geral tem para o futuro da modalidade dentro do clube.

Quando chegou ao Benfica, Mónica Jorge trazia consigo uma associação de longa data ao futebol feminino português. Durante anos, esteve empregada no meio durante o crescimento da modalidade, ocupou diferentes funções de responsabilidade e tornou-se uma das figuras mais mediáticas do sector. Foi precisamente essa exposição que levou alguns adeptos a acreditar que a sua chegada poderia representar o início de uma nova fase para o futebol feminino encarnado.

No entanto, quando se observa aquilo que aconteceu desde então, começa a surgir uma dúvida difícil de ignorar.

Os benfiquistas sabem exactamente o que pretende Mónica Jorge para o futebol feminino do Benfica? Conhecem as suas prioridades? Conhecem os objectivos que definiu para os próximos anos? Conhecem a estratégia que considera necessária para aproximar o clube da elite europeia?

A questão parece simples.

Ao longo dos últimos meses, Mónica Jorge participou em conferências, debates e iniciativas relacionadas com o futebol feminino. Falou sobre a modalidade. Falou sobre o seu crescimento. Falou sobre os desafios que enfrenta. Falou sobre o caminho que ainda existe para percorrer.

Mas sobre o Benfica, muito pouco.

Estas perguntas não são dirigidas às jogadoras. Não são dirigidas à equipa técnica. Não são dirigidas ao mercado de transferências.

São dirigidas à Directora-Geral do futebol feminino.

Porque uma liderança não é avaliada apenas pelas decisões que toma. É também avaliada pela capacidade de explicar para onde pretende conduzir o projecto que lidera.

Se existe uma estratégia claramente definida, porque continua essa estratégia por apresentar aos adeptos? E se a opção passa por deixar que apenas os resultados falem, então também será legítimo perguntar porque razão tantas outras intervenções públicas encontraram espaço para discutir o futebol feminino sem que o projecto do Benfica tivesse merecido a mesma atenção.

É precisamente aqui que surge a principal dúvida em relação ao trabalho de Mónica Jorge.

Qual é exactamente a visão que orienta este projecto? Existe uma ideia clara para o crescimento competitivo da equipa? Existe um plano definido para aproximar o Benfica das principais potências europeias? Existe uma estratégia identificável para a formação, para o recrutamento e para a retenção de talento?

Ou estamos perante uma liderança que continua a trabalhar sem nunca ter sabido ou desejado explicar publicamente quais são os princípios que orientam as suas decisões?

Porque aquilo que muitos benfiquistas observam, vindo de alguém que se apresenta como uma líder, é um silêncio difícil de compreender.

E quando o silêncio se prolonga durante demasiado tempo, a discussão deixa de ser sobre aquilo que está a ser feito.

Passa inevitavelmente para aquilo que continua por explicar.

A.C.F.
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