MATÉRIAS DO CORAÇÃO

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Desde meados de Dezembro e, a sugestão da minha cardiologista, tenho cometido a totalidade da minha pessoa numa odisseia que não qualificaria propriamente como "hercúlea", mas que, ainda assim, tem provado ser tão difícil quanto chacinar as águias do Lago Estínfalo.

Eu já tinha abdicado de alimentos com sacarose no final de ano em 2022. Mas agora, empreendido igualmente numa demanda por aqueles desprovidos de glúten e lactose, a situação quase requer a perseverança de uma semi-deidade.

Até para um homem comum, ele saberia evitar leite, queijo, chocolates, pão branco, cereais, etc. Sim, existem mercâncias sem a adição de açúcar refinado, e outras sem lactose, e ainda algumas sem glúten. Mas encontrar aqueles que não contenham nenhum dos 3? É como encontrar uma lésbica que não seja nem ateia, nem tatuada, nem arrapazada, nem bolchevique. Nem estou certo que tal criatura exista. Seria como encontrar um ex-jornalista "transvestido" em assessor, que não fosse ébrio, gordo, tabagista, ou submisso à desonestidade intelectual a troco de um parco estipêndio (uma forma menor de prostituição).

Relativamente aos insucessos das "Leoas", e como os mesmos parecem espoletar depressões, frustrações e iras noutros: filosoficamente, descubro que a vida se prende mais com a constância, com a procura pela verdade, do que necessariamente com euforias passageiras; pois aqueles que genuflectem perante o altar dos prazeres transitórios serão os mesmos que se alimentam de chocolates e gaseificados, mais do que de proteínas e nitratos.

Perder ou empatar não deveria suscitar oscilações de humor. O que nesses 'tiffosi' deveria alvorecer alguma indignação é desonestidade que às derrotas esteja intrínseca, a infirmeza de propósito com que temos levado de algumas que, mais do que atletas remuneradas se comportam como aquelas que exteriorizam os trejeitos das "influencers", relações públicas ou deputadas.

Por vezes, não se ganha por azar, ou por as outras terem sido melhores. Mas quando não se corre, não se está disposta a sofrer pela sua arte ou convicções, e depois, se vem fazer discursos que parecem totalmente antagónicos ao que observamos em campo. Ficamos com a ideia de estar na presença de torpes meninas.

Para nada aflorar quando "relações extra-futebol", que levam "madrinhas" a renovar o contrato das namoradas, não por os objectos do seu apego terem algo a aportar ao conjunto, mas para saciar apetites e querências estrictamente pessoais, ainda que pagas com o dinheiro de outrem. Creio que na alta finança se referem a tais liberdades como "riscos morais".

E, não há rigorosamente nada de reprovável (nem criminalmente nem moralmente) na afeição romântica, pois ela é - ainda que metaforicamente - uma matéria do coração. Nem nada de sórdido na libidinagem, que essencialmente, é sintomática de juventude e de saúde, especialmente, a nível endócrino, circulatório e psíquico. No máximo, entendo aqueles que as preferissem a namorar quando sob a folha salarial e código de ética de outra qualquer instituição.

Alguns dos "abespinhados" até se deixam afectar por minudências: já nem gostam dos óculos do Micael... Deviam ser os mesmos que também não gostavam do bigode da Borges, ou que se sentiriam perturbados se soubessem que um elemento da estrutura é simpatizante da extrema direita (aquela que, ultimamente, faz da "Bangladeshofobia" a sua bandeira para infundir os tontos de uma maior intolerância).

Qualquer dia, os coléricos até dizem que na frente só podem jogar moças que calcem um "41 biqueira larga". Se assim fosse, a Beatriz teria que vir jogar de pantufas maiores que as do Jubas...

Para aqueles que - ao contrário de mim, que extraio prazer do futebol de Cláudia, de Beatriz, de Telma, de Dani e de Georgia - se perdem numa espiral imatura, sugiro que comam refeições menores, que inspirem profundamente pelo nariz e expirem gentilmente pela boca, e que tomem uma aspirina antes das contendas, tal como eu fazia nos meus tempos de jovem.

De resto, por piores que as coisas fiquem, por mais permissividade que possa haver no "Hotel da Barafunda", disto não se esqueçam: enquanto as camisolas 6, 9, 14, 15 e 17 estiverem em campo, há sempre prazer e muita satisfação.

As coisas irão mudar, mas não será amanhã (Brenda será titular, Cancelinha será titular, a "namorada" estará mais uma vez na convocatória, Haugen e Samara não jogarão), nem no final da época. Temo que pouco se irá alterar, pois tal só acontece quando há interesse e, pelo que podemos constatar, a equipa poderia ficar 10 jogos sem vencer que, em Alvalade, ninguém se exaltaria.

No Verão, Micael irá embora, virá outra pessoa de valia similar, e continuará tudo na mesma. O problema primário não é um treinador incompetente, jogadoras mandrionas e desleais ou uma directora que parece querer poder, mas pouco dada à assumpção pública de responsabilidades.

O problema cardeal é o desinteresse directivo que permite tudo o que anteriormente elenquei. Sem amor não há interesse nem exigência, e esse parece ser o pecado de alguns adeptos: é o de realmente se importarem com o sucesso da equipa, não por soldo, mas por paixão, mas... por se verem "aflitos", por vezes, com um arrebatamento excessivo, ao ponto da toxicidade.

Para amanhã, que seja o que DEUS quiser; pois é óbvio que o se tem vindo a desenrolar não é o que Micael deseja, e menos ainda o que nos tem sido propagandeado, mas raramente cumprido, ano após ano.

A.C.F.

10/01/2026 



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