A ARITMÉTICA DO IMOBILISMO
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A eventual contratação de Emma Ramírez levanta uma questão interessante. Não sobre a jogadora. Não sobre a qualidade que poderá acrescentar ao plantel do Sporting. Sobre a forma como Margarida Batlle y Font tem gerido a construção da equipa desde que assumiu a direcção do futebol feminino em meados de 2023.
Porque, se a internacional espanhola chegar efectivamente a Alcochete, aquilo que muitos adeptos vão querer perceber não é apenas o que Emma Ramírez pode trazer à equipa e ao projecto. É aquilo que a sua chegada dirá sobre um fenómeno que parece repetir-se mercado após mercado e que continua a impedir os sportinguistas de perceber se o clube está realmente a crescer ou apenas a substituir talento que entretanto vai perdendo.
Desde Maio de 2023, os adeptos assistiram à chegada de várias jogadoras capazes de gerar entusiasmo legítimo. Algumas chegaram já com provas dadas. Outras chegaram acompanhadas de expectativas elevadas. Em praticamente todos os mercados, o Sporting conseguiu apresentar reforços que, individualmente, permitiam acreditar num aumento da qualidade competitiva do plantel.
No entanto, quando se observa a evolução global da equipa ao longo deste período, começa a surgir uma dúvida incómoda.
O Sporting está efectivamente a acumular qualidade? Ou está apenas a substituir jogadoras importantes por outras jogadoras igualmente de valor, sem nunca conseguir dar o passo seguinte?
A questão torna-se particularmente relevante quando se recorda aquilo que aconteceu no Verão de 2024. A chegada de Telma Encarnação e de Beatriz Fonseca foi recebida com entusiasmo por muitos adeptos. Tratava-se de duas atletas reconhecidas, capazes de elevar imediatamente o nível competitivo da equipa. Mas esse entusiasmo coexistiu com uma realidade difícil de ignorar: pouco antes tinham saído Olivia Smith, a melhor jogadora do campeonato, e Fátima Dutra, considerada por muitos a lateral esquerda mais atlética da Liga BPI.
Foi precisamente aí que começou a surgir uma sensação que continua presente entre muitos Sportinguistas.
Sempre que o Sporting parece acrescentar qualidade, já perdeu qualidade anteriormente. Sempre que surge uma contratação capaz de gerar esperança, existe uma saída anterior que obriga a recomeçar parte do processo de construção. E quando esse ciclo de constante "recomposição" se repete durante vários anos consecutivos, torna-se legítimo perguntar se a equipa está verdadeiramente a evoluir ou se permanece presa ao mesmo ponto de partida.
Naturalmente, nenhuma estrutura consegue evitar todas as saídas. O futebol feminino continua marcado por diferenças económicas significativas entre clubes e campeonatos. Existem propostas difíceis de igualar. Existem projectos desportivos mais atractivos. Existem oportunidades profissionais que muitas atletas consideram impossíveis de recusar.
Mas é precisamente por isso que a discussão não deve centrar-se nas jogadoras.
Estas perguntas não são dirigidas a Olivia Smith. Não são dirigidas a Fátima Dutra. Não são dirigidas a Beatriz Fonseca. Não são dirigidas a Emma Ramírez.
São dirigidas à directora do futebol feminino.
Porque uma directora desportiva não é avaliada apenas pela capacidade de contratar talento. É também avaliada pela capacidade de o reter. E, acima de tudo, pela capacidade de garantir que a equipa de hoje é mais forte do que a equipa de ontem.
É precisamente aqui que surge a principal dúvida em relação ao trabalho de Margarida Batlle y Font.
Qual é exactamente o saldo competitivo destes três anos?
O Sporting possui hoje um plantel claramente superior ao que possuía quando a actual directora assumiu funções? Existe uma acumulação progressiva de qualidade que permita aproximar o clube da conquista do campeonato? Ou aquilo que existe é uma sucessão permanente de entradas e saídas que impede qualquer crescimento verdadeiramente sustentado?
A dúvida torna-se ainda mais pertinente quando se observa aquilo que acontece nos principais rivais. Enquanto o Sporting continua frequentemente confrontado com a necessidade de substituir algumas das suas atletas mais importantes, outros clubes parecem conseguir preservar uma parte significativa do seu núcleo competitivo durante vários anos consecutivos. E quando essa estabilidade existe, a construção de uma equipa vencedora torna-se inevitavelmente mais simples.
Se Emma Ramírez chegar a Alcochete, os adeptos terão razões para ficar entusiasmados. Mas se, ao mesmo tempo, Beatriz Fonseca abandonar o clube, também será legítimo perguntar o que ganhou realmente o Sporting com essa operação. Ficou mais forte? Ficou mais competitivo? Ou limitou-se, mais uma vez, a trocar uma das suas melhores jogadoras por outra atleta de qualidade semelhante? E, em consequência destas sistemáticas reformulações, poderá o Sporting, na próxima temporada, esperar um desempenho que não seja mais do mesmo, comparativamente às 3 épocas em que Margarida Batlle y Font tem estado no comando?
Porque construir uma equipa e substituir uma equipa são coisas muito diferentes.
E quando uma equipa passa anos a substituir talento sem conseguir acumulá-lo, a discussão deixa gradualmente de ser sobre quem chega.
Passa inevitavelmente a ser sobre quem decide quem fica.
A.C.F.
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(escrito a 14/06/2026)
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A Dutra não foi a melhor lateral do campeonato em momento algum.
ResponderEliminarEu acho que as contratações não têm sido assim tão sonantes para justificar esse entusiasmo.
Comparativamente com o Benfica, o Sporting tem investido pouco e sem convicção.
Boa tarde, a forma como Francisca Fátima foi descrita foi "considerada por muitos a lateral esquerda mais atlética da Liga BPI".
EliminarQuanto a ser a melhor, isso é debatível, claramente, houve uma adaptação em termos tácticos em que ela era preterida em "favor" de Alícia Correia, uma jogadora, que no meu entender, não é fisicamente dotada para a modalidade.
Quanto às contratações, Beatriz foi eleita uma das 5 melhores da liga em 2024/25, Telma Encarnação é - em condições ideiais - a melhor "9" Portuguesa. Perdeu peso desde que chegou ao Sporting, mas na primeira época, marcou menos golos do que pelo Marítimo na sua última temporada.
Quanto à comparação com as hexacampeãs, a comparação até 2022/23 era uma, agora, terá que ser outra, pois o Benfica está claramente a desinvestir desde que saíram Ana Vitória e Cloé Lacassé. A diferença, no meu compreendimento, não está no talento técnico / atlético das jogadoras ou na equipa técnica, mas sim na forma como os projectos têm sido estruturados no que concerne a cultura de exigência.
Mónica venceu, por herdar um projecto mais bem estruturado que o do Sporting. O mérito será sobretudo de Fernando Tavares.
Quem está a fazer muito mal ao futebol feminino do Sporting é a diretora do departamento e o treinador que não percebe um xavo de futebol feminino enquanto esses dois estiverem no clube não se consegue organizar uma boa equipa e ganhar troféus…
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