A MESTRA DO MUNDO E O PROFESSOR CANTINFLAS
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A saída prematura de uma competição europeia constitui um revés para qualquer clube que ambicione aproximar-se da elite continental. Mas, ultrapassada a frustração imediata, esta eliminatória vs. SKN St. Polten deixou uma herança talvez mais valiosa do que o próprio resultado.
Pela primeira vez em muito tempo, tornou-se possível identificar com alguma clareza aquilo que Micael Sequeira entende ser a (nova?) espinha dorsal da equipa e, sobretudo, quais as escolhas que parecem finalmente romper com algumas das decisões que marcaram negativamente as últimas épocas.
Bastaram dois jogos oficiais para surgir uma primeira conclusão evidente. O treinador parece ter encontrado uma defesa que faz sentido. E pela graça de Neto, manteve-a!
A repetição de Julia Wozniak, Emma Ramírez Gorgoso, Ashley Barron, Georgia Eaton-Collins e Ágata Filipa (em "desfavor" de Érica Cancelinha) dificilmente poderá ser vista como coincidência.
Mais do que uma simples repetição do onze titular, representa uma declaração de intenções no pós-bicefalia Font y Fontemanha.
Vaz Pinto já se acabou, as amigas Font y Fontemanha idém. Miquelão, Miquelão, Miquelão, afasta as Latas e as Brendas, para as restantes poderem ganhar.
Pela primeira vez desde há muito tempo, o sector defensivo parece ter sido construído segundo um critério de complementaridade e não apenas de disponibilidade ou imperscrutável teimosia.
Ashley Barron oferece aquilo que sempre ofereceu: presença física, marcação à zona, agressividade no duelo e domínio da área. Mas, ao seu lado, Georgia Eaton-Collins acrescenta precisamente aquilo que a colega não possui em igual medida: velocidade, mobilidade, capacidade para sair da linha defensiva em bem-atempada "salvação" e qualidade técnica suficiente para iniciar a construção desde trás. Não são duas jogadoras iguais. São duas jogadoras diferentes que se tornam melhores precisamente porque partilham características distintas.
É essa lógica que distingue uma verdadeira defesa de uma simples soma de defesas Especialmente, uma livre de estigmas e narrativas de propaganda em que as (Cancelinha) da formação têm que jogar só por uma questão de envaidecimento administrativo.
Também Emma Ramírez parece confirmar rapidamente porque chegou a Alvalade depois de três épocas consecutivas na Liga F espanhola. A internacional espanhola e jovem rainha leoa... oferece profundidade (capacidade aeróbica que excede mesmo a da fogosa e infatigável Beatriz Fonseca), qualidade técnica e critérios ofensivos que elevam imediatamente o corredor direito. Se Georgia Eaton-Collins é uma excelente lateral, talvez seja ainda mais útil como defesa-central quando Emma ocupa naturalmente (e por pleno direito desportivo) a jurisdição que já pertenceu à Xerifa ipswichiana.
Nem tudo, contudo, inspira o mesmo grau de convicção.
Ágata Filipa continua a suscitar-me reservas.
Não porque tenha comprometido a equipa de forma catastrófica. Não comprometeu. Mas também ainda não produziu aquela sensação inequívoca de que o Sporting resolveu definitivamente um problema que se arrastava há demasiado tempo. Ou mais especificamente, desde que saiu a lateral esquerda mais atlética que Portugal já viu, Fátima Dutra, e a dupla Batlle y Cabral andou a tentar convencer a humanidade que (m)Alícia Correia tinha capacidade para suprir a ausência da fibradíssima (fibras musculares brancas / de contracção rápida) Dutra.
Durante toda a época passada, manifestei inúmeras vezes dúvidas relativamente à capacidade de Érica Cancelinha para assumir a titularidade numa equipa que pretende disputar campeonatos e competir na Europa. Nunca questionei a sua seriedade, o seu profissionalismo ou a dedicação que demonstra, pois tenho-a como uma moça briosa e dotada de uma forte e exemplar ética de trabalho, mas... com limitações inatas, que no meu entendimento dificilmente serão resolvidas com o acumular de experiência ou asnática casmurrice de quem manda ou propagandeia, pois não enxergo na jovem a mobilidade ou atleticismo para a posição. Questionei e continuo a questionar apenas se Érica possui as características necessárias para desempenhar essa função ao mais alto nível.
Ora, após teimar em metê-la... - a Érica (em campo) - quase toda a época transacta, o Sr. Sequeira sentou-a nos dois únicos jogos oficiais da presente época, talvez, demonstrando, que como apregoa a expressão idiomática, "só os «esposos» das burras é que não aprendem".
Ora, se essa avaliação (às insuficiências de Érica) justificava recorrer ao mercado, esperava que a resposta fosse absolutamente indiscutível.
Até agora, ainda não o é.
Talvez Ágata Filipa confirme plenamente essa aposta ao longo da temporada. Espero sinceramente que tal aconteça, e de preferência, com discrição, eminência e expediência leonina. Mas, ao fim destes dois primeiros jogos oficiais, continuo sem sentir que o Sporting tenha passado de uma certeza insuficiente (em Érica) para uma solução claramente superior (em Ágata).
A impressão que permanece é outra: talvez se tenha limitado a trocar uma dúvida por outra. A gestão de activos do Futebol Feminino do Sporting não parece passar por adquirir qualidade, mas sim por acumular mediania em quantidade.
O Sporting passou de uma defesa limitada e jovem, para (até ver) uma defesa já trintona, como se a lógica reinante passasse por escolher jogadoras que fossem o total oposto das que não satisfazem. Tal, não reflecte mal sobre o carácter das atletas (destas duas), mas sim sobre a competência de quem escolhe os reforços.
Uma possibilidade chama-se Madalena Marau. Não a avanço como uma solução para tudo o que aflige o beco esquerdo das Leoas, mas se Ágata não subir de nível, outras opções terão que ter oportunidade de mostrar a sua qualidade. Pessoalmente, penso que Ágata vai mostrar mais.
Vaz Pinto já foi, Fontemanha já foi, Batlle y Font já foi. A haver fracassos mais, os dedos apontar-se-ão para quem teimar nas "insuficientes", para quem "empurrou" Samara Lino, e para quem não der oportunidades a Madalena Marau.
Mas, a longo prazo, creio que será preciso mais do que as "grilhetas" da incompetência Cantinfliana para impedir a marcha das "pilotadas" pela "Mestra do Mundo", a grande Neto. E oferte-nos ela a bondade de nos continuar a manobrar as nossas Leoas, por algumas temporadas mais.
Por último, Érica Cancelinha tem futuro no futebol, mas duvido que seja no Sporting, cada ano que passar em Alcochete será menos um para mostrar o seu valor noutra equipa no top 5 da Liga BPI. Acredito, há muito, que deveria ser testada como média defensiva, pois é o único posto nas Leoas na qual lhe auguro algum futuro. De resto, acredito que um dia irá fazer parte do futebol como elemento de uma equipa técnica, não apenas por o desejar, mas por ter algo a ensinar, pois no que respeita a profissionalismo, mesmo nesta tenra idade, vai dar mais lições do que necessitar de as receber.
E... o brio e a dignidade, à feição e guisa de uma... coroa, são para sempre!
A.C.F.
11/08/2026.
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