SEM BRENDA? SEM CANCELINHA? SEM FONTEMANHA? SEM BATLLE Y FONT? SEM QUAISQUER PROBLEMAS!!!!
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Cinco golos raramente resolvem um problema. Por vezes limitam-se a escondê-lo durante alguns dias. Foi essa a sensação que ficou da vitória do Sporting frente ao SeaSters. O resultado foi esclarecedor. A exibição, em muitos momentos, também. Mas aquilo que verdadeiramente merecia atenção não estava no marcador. Estava nas escolhas. Porque uma equipa pode transformar-se sem contratar uma única jogadora. Basta deixar de insistir, por hábito ou por convicção, em soluções que sucessivas épocas demonstraram não produzir os resultados pretendidos. E foi precisamente essa impressão que o onze inicial deixou. Pela primeira vez em muito tempo, o Sporting pareceu uma equipa construída segundo um critério de complementaridade e não apenas de estatuto ou popularidade.
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A diferença começou logo atrás. Ashley Barron voltou a demonstrar aquilo que sempre pareceu ser o seu principal atributo: capacidade para dominar a área, impor-se fisicamente e resolver lances de contacto. Mas, desta vez, beneficiou de um enquadramento diferente. Ao seu lado surgiu Georgia Eaton-Collins, uma jogadora mais móvel, mais confortável a defender longe da baliza e capaz de corrigir espaços que Barron, pelas suas características, dificilmente conseguiria fechar sozinha. O resultado foi uma dupla equilibrada, onde as virtudes de cada uma reduziram naturalmente as limitações da outra. Poucas ideias são tão importantes no futebol como esta. Uma defesa não é uma soma de jogadoras. É uma combinação de perfis.
O mesmo aconteceu nas laterais. "La potranca", Emma Ramírez ocupou a direita porque, simplesmente, é a melhor lateral-direita do plantel. A solução parece quase óbvia. Mas o futebol está cheio de exemplos em que o evidente demora meses, ou anos, a ser aceite. Ao deslocar Georgia para o centro da defesa, o treinador não perdeu uma boa lateral. Ganhou uma central capaz de oferecer velocidade, técnica, critério na saída de bola e capacidade para defender espaços largos. São decisões aparentemente simples, mas é precisamente a ausência destas pequenas decisões que tantas vezes explica o insucesso de equipas teoricamente bem apetrechadas.
Se a defesa transmitiu estabilidade, foi sobretudo porque o meio-campo começou finalmente a protegê-la. Andreia Bravo voltou a ocupar a posição onde melhor rende. Não será a jogadora fisicamente mais elegante do plantel nem a mais regular fisicamente ao longo de toda a temporada. Mas continua a oferecer aquilo que nenhuma outra colega consegue reproduzir com igual eficácia: capacidade para filtrar jogo, recuperar bolas, proteger o eixo defensivo, ganhar duelos e libertar quem joga à sua frente. Durante demasiado tempo, o Sporting tentou resolver esta função recorrendo a Brenda Pérez. Nunca pareceu uma solução natural. Brenda possui qualidades técnicas evidentes, mas não é uma média defensiva. Nunca o foi. E obrigá-la a desempenhar esse papel era diminuir aquilo que ela própria tem de melhor, ao mesmo tempo que fragilizava toda a equipa.
À frente de Bravo apareceu a metronómica Joana Martins. Talvez nenhuma jogadora represente melhor a diferença entre correr muito e jogar bem. Não impressiona pela potência física nem pelo impacto atlético. Impressiona porque percebe o jogo. Liga sectores, interpreta ritmos, aproxima colegas e faz circular a bola com inteligência. Há futebolistas que resolvem problemas através da força. Outros resolvem-nos antes de eles surgirem. Joana pertence claramente ao segundo grupo. Ao seu lado, Cláudia Neto continua a demonstrar que a idade explica muito menos do que habitualmente se pretende. Aos 38 anos, mantém aquilo que nunca dependeu da velocidade: inteligência táctica, qualidade técnica e capacidade para decidir melhor do que quase todas as outras. Enquanto o seu corpo responder às exigências da competição, continuará a ser difícil encontrar alguém em Portugal que interprete o jogo ofensivo com semelhante clareza.
Inequivocamente, esta equipa do Sporting irá tão longe quanto o treinador acreditar num meio campo com Neto, Martins e Bravo. Falta saber se Micael usou este trio por acaso, e se terá sagacidade para perceber que "tropeçou" no equilíbrio e complementaridade ideal.
Duas ausências acabaram por dizer tanto quanto as presenças. Brenda Pérez começou no banco. Érica Cancelinha também. Nenhuma destas observações pretende diminuir aquilo que ambas representam enquanto profissionais, pois a sua condição física fala por si, mas o futebol não é um concurso de fitness or de wellness, requer potência, atleticismo, mobilidade, etc. Veremos se Micael perceberá igualmente o quanto a equipa "lucra" ao trocar Cancelinha por Ágata Filipa. Pessoalmente, temo que Micael irá voltar a breve prazo a sacrificar Bravo ou Joana para meter a espanhola.
A dedicação, o compromisso e a seriedade de Brenda e Érica nunca estiveram verdadeiramente em causa. O que esteve em causa foi outra coisa: saber se possuíam as características necessárias para ocuparem lugares de titular numa equipa que pretende discutir campeonatos. No caso de Brenda, a resposta parecia tornar-se cada vez mais difícil. No caso de Cancelinha, a dúvida era diferente. A aposta na formação constitui uma narrativa sempre popular entre os Sportinguistas. Mas uma narrativa não substitui rendimento. Formar atletas é uma obrigação. Torná-las titulares apenas porque são formadas no clube seria um erro ainda maior. Se a chegada de Ágata Filipa representar, ainda que implicitamente, o reconhecimento de que o Sporting precisava de uma central com outro perfil competitivo, então talvez esta contratação diga tanto sobre o futuro como sobre as limitações das escolhas anteriores.
No meu entender, tanto Cancelinha como Brenda têm lugar no plantel, pois entendo ambas como muito profissionais, mas não com capacidade para serem titulares. Já o opinava há 12 meses, quando Micael conduziu a equipa à pior prestação da sua história, terminando a 13 pontos do Benfica.
Quanto ao ataque, não vejo em Ana Dias o potencial de Telma Encarnação, mas respeito as opções do treinador, inclusive, "sacrificar" Santiago para meter Neuza Besugo no flanco. Após a "asnática" dispensa de Samara Lino e a saída de Dani Arques, o Sporting tem um plantel com uma superabundância de escolhas para o ataque, e um miolo onde Brenda é logo a 4.ª opção para titular. Terrificante...
Naturalmente, seria irresponsável transformar um 5-0 frente a um adversário de valor ainda desconhecido numa previsão sobre aquilo que será a temporada. Tivesse o Sporting batido um Torreense, Valadares ou Braga por 5-0, isso já poderia ser mais relevante. Os verdadeiros testes ainda estão para chegar. Mas também seria um erro ignorar aquilo que este encontro deixou entrever. Pela primeira vez em muito tempo, o Sporting pareceu uma equipa onde cada jogadora ocupava o lugar que melhor correspondia às suas características. E isso, por vezes, vale mais do que qualquer contratação. Porque as equipas não começam necessariamente a ganhar quando adquirem melhores futebolistas. Muitas vezes começam simplesmente a ganhar quando por presumivelmente incompetência ou asinina teimosia deixam de colocar as jogadoras erradas nos lugares errados.
Por último, sempre defendi que Ana Borges e Rita Fontemanha não tinham perfil para Capitãs, pois sempre as entendi como nervosas, impulsivas e teimosas. E desde há muito que identifiquei 3 jogadoras mais capacitadas para liderar: 1) Georgia Eaton-Collins, 2) Joana Martins e 3) Miri O'Donnell. Que satisfação é ver a braçadeira no braço duma mulher que além é emocionalmente inteligente.
A.C.F.
05/08/2026
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