DESPRENDIMENTO e DILETÂNCIA
- Relativamente ao jogo de amanhã, 23/09, frente ao Brøndby, diria que existe alguma equivalência de forças e de potencial, sendo que, para mim, um empate ou uma vitória tangencial das dinamarquesas me parecem os resultados mais expectáveis.
O Sporting vem de duas vitórias em casa, contra equipas fracas, mas começa a notar-se alguma evolução na racionalidade da escolha das onze titulares, quando comparada com a "imeritocracia" da temporada transacta.
O Brøndby irá receber as de Georgia Eaton-Collins sobre um sintético e, se o treinador Sequeira optar, asininamente, por lançar Érica Cancelinha e Brenda Pérez no onze titular, para já nem sugerir opções mais aceitáveis como Ana Dias e Flor Bonsegundo, na minha opinião o Sporting ficará, cogito eu, mais perto de perder o jogo, com maior ou menor contundência.
Quanto à recente não utilização de Cláudia Neto, não a entendo como um drama, desde que quem jogue seja capaz de a substituir à altura. Acredito que as equipas se equivalem, mas, se o Sporting perder de forma dramática, a responsabilidade recairá, muito provavelmente, sobre a teimosia do treinador ou sobre a sua incapacidade para, mais uma vez, percepcionar as características fisico-técnicas das jogadoras e como melhor tirar partido das delas.
Não acho que o Sporting vá fazer uma grande época, e refiro-me tanto ao plano desportivo como ao económico. A secção tem perdido jogadoras como Beatriz Fonseca e Ana Capeta, moças de carácter muito humilde, e quando algumas das que permanecem começam a acreditar excessivamente nos elogios e sicofâncias que lhes são dirigidos, instala-se a tentação de superestimarem a própria importância e, com ela, uma certa tendência para o aburguesamento.
Para mim, a perda de humildade num conjunto que não vence o campeonato há nove anos é, no mínimo, um fenómeno que só posso classificar de "aprincesado" ou "liceal": pessoas que parecem querer tudo - salários, sponsors, respeito, deferência - mas que se mostram pouco inclinadas a fazer/suar o necessário para o obter, como se o respeito alheio fosse algo ingénito. Há uma curiosa assimetria entre aquilo que se entende serem os direitos adquiridos e aquilo que se parece considerar serem as obrigações correspondentes.
Igualmente contraproducente me parece quando quem lidera a modalidade prega a necessidade de os adeptos apoiarem uma equipa cujo núcleo duro de aficionados se conta pelas poucas centenas e, simultaneamente, persistem em comportamentos de descortesia e esnobismo, ou quiçá, algo de proveniência mais inconsciente. Mourinho e Guardiola são frequentemente tidos por arrogantes, mas uma postura semelhante, quando provém de diletantes, de quem nada venceu em lado algum e de quem está ali apenas de passagem, assume outra natureza. Uns podem partir... os associados permanecem, pois duvido que alguém tenha interesse na modalidade por causa da discursividade de tecnocratas.
E é precisamente essa diferença entre a transitoriedade de quem passa e a permanência de quem fica que me parece estar a ser esquecida. Quero crer que certas manifestações de soberba passiva não passam de fantasias defensivas para compensar uma imensidão de inconseguimentos, mas, sendo assim, são delusões que em nada favorecem a formação de uma massa crítica em redor da modalidade que lhe possa permitir aspirar à auto-sustentabilidade, e muito menos promovem a cultura de "atitude" que tanto se insiste em pregar, e sincronicamente, um tão pobre exemplo dela, por vezes, se oferece.
A.C.F.
22/09/2026.
Comentários
Enviar um comentário